Lembranças #1

ou Tampa de Bueiro

Ocupando a calçada estreita por inteiro, grande, pesada, de concreto, meio solta. Não tenho escolha a não ser pisar nela. E neste momento lembro-me de uma amiga, Thais.

Não sei se por surperstição ou por algum trauma de ter já visto alguém cair naquele buraco com fundo, ela simplesmente não pisava, em nenhum. Pelo menos é assim que eu me lembro dela.

Caminhávamos rumo à estação de metrô, no trajeto universidade casa, uma descida íngreme  bem movimentada, com barracas de camelôs e vários bueiros pelo caminho com ou sem suas tampas. Andávamos como se estivéssemos desviando de cocos de cachorro, olhando para o chão, tomando todo cuidado. E quando não tinha opção de escapatória na própria calçada, lá estava ela na sarjeta da rua.

Thais não mora no Brasil há alguns anos, está do outro lado do mundo. E aí eu me pergunto, será que lá tem tampa de bueiro da qual ela tenha que desviar?

Aline Bianca de Almeida
25/10/2012
Em homenagem a você minha amiga, que mesmo longe, está perto.
Piegas eu sei. Mas é de coração

Percepção

No percurso casa-trabalho

Com o celular companheiro-amigo

Manda- recebe mensagens

Ouve música-alta

Lê notícias-sem-importância

Não viu a placa cuidado-obras

Não ouviu o grito-pare

Caiu no chão-duro.

Aline Bianca
18/10/12012